a regiao
Find more about Weather in Itabuna, BZ
encontro grapiuna
10.Fevereiro.2018

Confete e serpentina


Me espanta ver cidades que não atraem turistas fazendo carnaval só porque o povo gosta do “pão e circo”, mesmo quando fica sem o pão. Neste ano, a surpresa foi ver um prefeito que erra muito, afinal acertar.

Estou falando de Mário Alexandre, de Ilhéus, que faz um governo medíocre, porém, ao cancelar o carnaval, acertou.

Acertou porque Ilhéus, apesar de ser uma cidade feita para o turismo, nunca soube desenvolvê-lo e não recebe o turista ideal, ficando mais com veranistas da própria região.

Dá sorte de a Bahia só ter dois portos em condição de receber transatlânticos e, por isso, tem cruzeiros chegando durante três meses.

Se Porto Seguro tivesse um porto decente, ninguém mais pararia em Ilhéus.

Marão também acertou porque a cidade nunca teve uma tradição de bom carnaval. É uma festa paroquial, sem atrativo nem para os itabunenses.

Sem tradição e sem ter como atrair turistas qualificados para a festa, fazer carnaval em Ilhéus é só prover o “circo”, sem benefício algum para a cidade.

Itabuna teve sua chance de manter um carnaval atraente para turistas de fora no início dos anos 2000, mas os prefeitos seguintes enterraram a festa.

Para ter um carnaval com peso turístico, única razão para promover a festa, você precisa de constância, ganhando adesão a cada ano graças ao “boca a boca” de quem participou.

Foi assim que Salvador criou o maior carnaval de rua do planeta (e sim, vários países têm carnaval de rua, grandes).

A festa não nasceu grande nem atraía pessoas de outros estados. Na verdade, mal atraia baianos do interior.

Ela deu uma guinada no ano em que a Band resolveu fazer dela uma atração nacional, com transmissão ao vivo. E depois cresceu pela qualidade. Hoje, graças à visão empresarial de ACM Neto, é gigante.

Voltando ao sul da Bahia, nenhuma cidade daqui deveria promover carnaval. O gasto é muito grande para algo que só dura três míseros dias.

Com o dinheiro que foi gasto em Itabuna neste ano (o real, cerca de R$ 3 milhões), daria para promover shows com talentos locais, todo sábado, durante 600 meses. É, meses, e sei do que estou falando.

No ano passado, durante cinco meses, a Morena FM promoveu o Encontro Grapiuna, todos os sábados, na Praça Rio Cachoeira, com cerca de R$ 5 mil por mês.

Dividindo estes R$ 3 milhões de 3 dias de festa por R$ 5 mil dá estes 600 meses que citei, que são 50 anos!

Mas vamos melhorar isso. Com estes R$ 3 milhões, Itabuna poderia manter shows diários de artistas locais, o ano inteiro, por cerca de 14 anos.

Isso geraria muita cultura, renda, lazer e empregos. O ano todo, todo dia. Ou...

Faça 3 dias de carnaval.

Números são importantes


Voce talvez tenha se espantado com a conta que fiz sobre o carnaval, mas não devia.

Todo cidadão deveria parar e analisar o que significa o custo das coisas e obras que são anunciadas por prefeitos e pelos governadores.

Talvez não faça isso porque o ensino de matemática no Brasil é uma tragédia, com só 15% dos alunos que terminam o segundo grau sabendo fazer conta com mais de 2 dígitos.

Talvez não o faça por estar anestesiado com a montanha de números que vê e ouve todos os dias na divulgação de prefeitos e governadores.

Ficou tão comum ouvir que milhões foram desviados ou investidos, que bilhões foram gastos, que ninguém para e pensa no que significa.

Por exemplo, o PT desviou R$ 450 milhões da Petrobrás só em um dos esquemas. Mas quanto é isso?

Isso é o suficiente para voce comprar 100 apartamentos de frente para a famosa praia de Copacabana. Ou construir umas 6.500 casas populares, que podem abrigar 32 mil pessoas. Itajuípe tem 23 mil.

O saldo de R$ 3.150.000, que os R$ 450 milhões aplicados renderiam, daria para pagar R$ 14 mil para cada um dos 224 mil moradores de Itabuna, todo mês, pelo resto da vida.

Mesmo quando você pega um número mais baixo, devia pensar. Como o R$ 1,2 milhão que custou a Pinguela do Jegue.

Dá para duas viagens de ônibus por dia, todo dia, por um ano inteiro, para 500 pessoas.

Números importam.


O editorial de A Região, por Marcel Leal.

|