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mulher e capoeira
23.Fevereiro.2019

Mulheres usam capoeira para falar de igualdade

no esporte onde, apesar de representar 35% dos praticantes no Brasil, ainda sofrem preconceito nas rodas. Quem compra uma passagem para Salvador, na Bahia, não cogita ir embora sem assistir a uma roda de capoeira, reconhecida, há cinco anos pela ONU, como patrimônio cultural imaterial da humanidade.

Em 2008, a dança afro-brasileira já havia recebido o título de Patrimônio Cultural do país pelo governo federal. Manifestação nascida entre os negros escravos no Brasil como forma de resistência, muitos especialistas afirmam que a dança passa por um processo de perda das suas referências africanas.

Com isso, menos pessoas praticam a mistura de dança e arte marcial, especialmente as mulheres negras. “O racismo descolou essa relação histórica entre negritude e capoeira e criou apropriações distorcidas, como a capoeira gospel”, explicou Larissa Ferreira, professora de dança do Instituto Federal de Brasília, a um jornal baiano.

Para ela, o racismo, além do mais, tem impedido que a capoeira seja um espaço onde a mulher pode resgatar sua identidade. “A capoeira tem cor, tem uma história. Acho que ela faz esse religar, traz um pertencimento que não é somente racial, mas também étnico, porque envolve ancestralidade, símbolos culturais e afirmação da negritude”.

No entanto, uma iniciativa de mulheres de várias partes do país pode ajudar a mudar esse cenário. Elas se dedicam a ensinar suas colegas como praticar a dança e arte africana. Segundo o grupo, a capoeira pode servir como estímulo ao resgate da identidade racial de mulheres.

Pesquisa acadêmica

É o caso da capoeirista Rosângela Araújo, conhecida como mestra Janja, que trabalha com a dança há 40 anos e é fundadora do Instituto Nzinga de Estudos da Capoeira Angola e de Tradições Educativas Banto no Brasil. Ela é professora e pesquisadora acadêmica do tema.

Janja relatou à Agência Brasil que percebe as diferenças de tratamento entre homens e mulheres na roda e na universidade. "A roda da capoeira é de fato uma metáfora da roda das relações sociais, da roda do mundo, da grande roda, como a gente diz".

"Dentro da capoeira os desafios são os mesmos que nós vivenciamos na sociedade, com as especificidades que estão atreladas à prática”. Em suas pesquisas, ela percebeu que a capoeira sempre foi considerada um espaço masculino por ter sua imagem historicamente atrelada à valentia, destreza, ocupação e defesa de território.

Entre os homens, era muito comum, durante os séculos 19 e 20, que fossem formadas as chamadas maltas, grupos de capoeira que usavam navalhas ou facas durante os movimentos. “Eu poderia dizer, sem medo de errar, que capoeira é um espaço misógino, LGBTfóbico".

"Mesmo do ponto de vista intragênero, ela estabelece um padrão de masculinidade que elimina muitos outros homens, inclusive heterossexuais, dentro de uma leitura da cultura da valentia que marca a história da capoeira”, explica.

Mais de um terço

No Brasil, estima-se que 35% dos praticantes de capoeira são mulheres. O número daquelas que chegam à condição de mestras, no entanto, ainda é muito reduzido quando se considera a capoeira de angola, tipo mais tradicional.

Mesmo presentes, elas ainda enfrentam preconceito e outros tipos de violação. Para mestra Janja, há um grande número de pesquisadores que se dedicam ao estudo da capoeira, mas a questão de gênero nesse campo ainda é pouco explorada.

“A capoeira é também um espaço de sociabilidade. É nesse sentido que a gente entende, como instrumento de luta por direitos, pela liberdade e dignidade humana. A mulher, sendo respeitada e valorizada numa roda de capoeira, garante que esse espaço seja cada vez mais democrático".

"Um espaço onde a diversidade e a convivência harmoniosa entre os diferentes significam um exemplo de tolerância e convívio social nesse mundo tão cheio de preconceitos e discriminações”, completa a diretora de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro da Fundação Cultural Palmares, Carolina Nascimento.

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