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cyro de mattos
21.Fevereiro.2026

Quatro mosqueteiros do mal


São três homens e uma mulher. Eles têm um comportamento em comum como servos do mal: combater o outro no mundo, desde que este como fruto do bem tenha uma personalidade valorosa que fatura vitórias na vida. E não se submete ao poder maligno deles. Abraçados ao feio da vida, em decorrência de desastres pessoais, ressentimentos, frustrações, empregam o método de negar o outro para se afirmar, municiando o arsenal da índole perversa com os ingredientes necessários do medo, ciúme, inveja, calúnia, infâmia e difamação, enfim, são servos do terrorismo cultural mesclado com a hipocrisia. A mentira é sua bebida predileta.

Um deles é professor de sociologia na universidade. De tão rancoroso quando está na sala de aula, prazeroso quando dá nota baixa, foi apelidado pelos alunos de Doutor Veneno. Possui semelhança física com Himler, um homem feio e baixinho, muito importante no staff de Hitler. Tinha defeito em uma das pernas, que o impedia de andar no passo normal. Exerceu o papel de ministro das comunicações, usando o rádio para disseminar o racismo contra os judeus alemães.

Doutor Veneno acha-se absoluto nos conceitos e ideias que transmite aos alunos e nas balas que desfere no blog “Dardos e Petardos”, que ele mantém no site “Chumbo Grosso”. Não admite questionamentos sobre a posição ideológica de sua crença extremista. Segundo ele, só existe um regime político que pode salvar o mundo: o comunismo. O regime capitalista é selvagem, nele o homem é o lobo do próprio homem. No comunismo não existem dominações e preconceitos. Todos são trabalhadores do Estado, só o operário existe na sociedade, porque ele carrega nas costas todo o peso terrestre dos dias com suor e trabalho. Exatamente por isso na sociedade justa e igual só a classe operária tem mais valia. Quando um aluno perguntou-lhe qual a razão para Stalin matar tanta gente inocente na Rússia, depois de instalado o regime comunista, respondeu que os meios justificam o fim quando o objetivo maior é o bem da coletividade.

O segundo mosqueteiro do elenco maldito assina a coluna diária “Os Vencedores” no jornal “Tribuna do Sul”, o mais lido veículo da mídia impressa da região cacaueira baiana. De estilo repetitivo, não analisa o fato com lucidez nem se aprofunda no assunto. Sempre está embevecido com o perfil que traça de alguém que conquistou o poder no setor empresarial, político e afins. Acha que essas pessoas são os heróis que fazem a grandeza da cidade. O resto, na rabada da vida, pobre gente infeliz, não conta nem encanta. Certa vez confessou ao colega de jornal, isso há mais de trinta anos, que ele iria escrever a verdadeira história política da cidade, desde quando deixou de ser vila. Já tinha até título para a obra, um alentado volume de 500 páginas: ”A Verdadeira História Política de uma Progressista Cidade do Interior Baiano”. Até o momento ficou apenas na promessa.

Comunicador confuso em tudo que transmite, argumenta e defende. Terrível língua de fogo de radialista quando investe seus falares contra alguém que está no topo do esporte, política, cultura e literatura. Entre os colegas da rádio é conhecido como o rei da patacoada. É como se apresenta o terceiro mosqueteiro, para que lado vá. Acha-se poeta. Publicou até agora um magro volume de poemas, em edição financiada pelo autor. Embora seja negro pardo, “Preto e Branco”, seu pequeno volume de poemas, não dá maior importância ao tema do negro, vítima de preconceitos e perseguições, com suas dores nos rastros de desgraça.

A quarta mosqueteira do quarteto diabólico é uma dublê de atriz e produtora cultural. Encontrei uns versos do poeta popular Cuíca de Tabocas no livro Vale-Tudo Por Aí Afora, que, sem esforço, para prevenir os indefesos e ingênuos, podem ser aplicados a essa artista de gradações baixas: “Atriz, atroz, mortal picada, pau na cobra”. Todos os dias os quatro mosqueteiros do mal se comunicam no telefone, trocam e-mails, procuram se atualizar acerca de pessoas e fatos, que lhes interessam criticar para ferir. Sem hesitar, adotam o lema: “Um por todos, todos por um!”

Coitado de quem consegue pequeno espaço na mídia para se defender da calúnia disseminada por um deles. Prepare-se para receber mais pancada e ser achatado no blog “Dardos e Petardos”, na coluna “Os Vencedores” e no programa radialista “Alarme Total”, do terceiro mosqueteiro. Quando eles estão interessados em derrubar algum gestor cultural da presidência de uma instituição, as notícias, como sempre, baseadas na infâmia contra a vítima desprevenida são fornecidas para a trama diabólica aos outros três pela única mosqueteira do quarteto. Nesse caso, ela é funcionária da secretaria de cultura do município e tem olho gordo para ocupar o lugar do secretário quando for exonerado pelo prefeito. O que nunca demora, em razão das estratégias e ataques armados pelo comportamento abominável desse quarteto do mal.

 

 

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# Artigo do escritor Cyro de Mattos. Autor de 76 livros pessoais, de diversos gêneros. Seis são de crônicas e, entre eles, O Mar na Rua Chile, Finalista do Jabuti, concorrendo com Fernando Veríssimo e Moacyr Scliar, renomado contista, e Alma mais que tudo, Prêmio Sabiá da Crônica da Revista RUBEM.

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